anyone or anything again
Ligo meu iPod e começo a ouvir "Jesus to a child" do George Michael. Não sei porque mas até hoje fico com os olhos cheios de lágrimas ao ouvir essa canção. O dia está frio, final de tarde e chove na Savassi.
Chego no ponto do ônibus e lá está ELE. Que coisa mais irônica, se não bastasse encontrá-lo às vezes pelo bairro, pelas ruas lá perto de casa, agora encontro ELE também pelas ruas da Savassi, e ELE vai pegar o mesmo ônibus.
Eu entro primeiro na esperança de achar um banco vazio para dois, mas não encontro. Sento num banco vazio e ELE fica do meu lado, em pé. As vezes me olha de rabo de olho e dá um sorriso maroto. Bermuda, barba por fazer e uma mochila nas costas...
Reparo que ELE senta num banco atrás do meu e fica batendo os dedos no meu banco, como se estivesse sinalizando algo. Vejo isso pelo reflexo da janela. Abro meu bloco de notas, e num instinto bem cara de pau, escrevo meu nome com meu telefone num pedaço de papel.
Discretamente levo minha mão de encontro a mão dele, bem ao lado da janela. Discretamente ELE pega o bilhete e em questão de segundos já estávamos trocando mensagens pelo cel. de forma bem discreta.
Tento combinar um encotro para batermos um papo de forma mais tranquila e ELE me revela que é surdo-mudo.
A conversa continua normalmente... sempre por mensagens.
Nos despedimos com a promesa de um novo encontro, encontro este que se repetiu no dia seguinte e por outros dias também. Só que desta vez trocamos as mensagens de celular por um bloco de notas. Ora eu escrevia, ora ELE escrevia. E assim nos conhecemos. ELE sabe tudo, ou quase tudo sobre mim, e vice-versa.
O bloco de notas está guardado, assim como essa história... ou melhor, assim como o final desta história.
segunda-feira, 5 de dezembro de 2011
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1 comentários:
Adorei....parace ate novela...hehehe
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